Uma data para lembrar a importância do bioma Caatinga


Instituído em 2003, em homenagem ao pernambucano João de Vasconcelos Sobrinho

engenheiro agrônomo e ecólogo falecido em 1989, o Dia Nacional da Caatinga (28/4) é também um momento de reflexão e debates voltados para a conservação do bioma. Um evento realizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama/PE), em parceria com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade e o Comitê da Reserva da Biosfera  da Caatinga, aconteceu ontem, quando foram abordadas as ações de conservação e de apoio ao desenvolvimento sustentável no estado.
Pernambuco desenvolve o Plano de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Caatinga, que prevê ações voltadas para a criação de unidades de conservação, elaboração de mapa de vocações e potencialidades, além do incentivo à economia verde. Para o secretrário-executivo da Semas, Carlos Cavalcanti, “entre 2011 e 2016 saltamos de zero para 126 mil hectares em unidades de conservação de proteção integral no bioma. Precisamos agora fortalecer  a gestão, incorporando  uma visão integrada, com a participação de diversos atores locais”, ressaltou o representante da Secretaria.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a Caatinga ocupa 11% do território nacional e abriga uma população de 27 milhões de pessoas. Está presente nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe e Minas Gerais.
Apesar da vegetação espinhosa e retorcida, a região “detém uma importante biodiversidade, com registro de 178 espécies de mamíferos, 591 de aves, 177 de répteis, 79 espécies de anfíbios, 241 de peixes e 221 de abelhas”, segundo o MMA.
As espécies vegetais identificadas no herbário Dárdano de Andrade Lima, do Instituto Agronômico de Pernambuco (Ipa), também confirmam a importância da região: 65% do total de espécies catalogadas, cerca de 58 mil são da Caatinga, com destaque para  as mais representativas, entre elas o umbuzeiro, catingueira, xiquexique, coroa-de-frade, angico e jurema. O Instituto abriga também no seu acervo uma importante coleção: São 12 mil plantas do bioma colecionadas entre 1950 e 1980 pelo agrônomo Dárdano de Andrade Lima, que faleceu em 1980.
A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade adota desde 2011 como estratégia de conservação do bioma, a criação de novas unidades de conservação, especialmente nas categorias de proteção integral, onde só é permitido o uso indireto dos recursos naturais e são adotadas apenas atividades voltadas para a pesquisa científica e o turismo ecológico.
O Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga de Pernambuco foi representado no evento por Marcelo Teixeira, coordenador estadual do Comitê. Ele destaca as ações desenvolvidas pela instituição em defesa do bioma: “O Comitê tem o importante papel de adensar esforços de várias instituições na direção da preservação do rico bioma que é a Caatinga, entre eles o fomento à criação de Unidades de Conservação; o apoio às comemorações do Dia Nacional da Caatinga desde 2005; o projeto de valorização da Caatinga realizado em 17 municípios do Pajeú; discussão sobre a reformulação do ICMS socioambiental do Estado de Pernambuco; além da promoção de palestras sobre boas práticas e lições aprendidas na Caatinga, com valorização dos saberes do povo catingueiro e da sua rica cultura”, reforçou o  coordenador.
Foto: Osvaldo Santos
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