Alto do Cruzeiro recebeu tradições populares e a música contemporânea de Pernambuco


Turistas e moradores de Arcoverde, que compareceram ao polo Raízes do Coco nesse São João, mergulharam nos ritmos e sonoridades que marcam a identidade cultural pernambucana. O que se viveu por lá, durante os nove dias de programação, foi uma rica troca entre grupos tradicionais e artistas do estado que ganham cada vez mais projeção no país respeitando e ampliando o leque de possibilidades artísticas de expressões como o coco, o forró, a ciranda, o maracatu e a poesia popular.
"O show foi muito especial, em que pesou toda a importância desse lugar e a referência que Arcoverde tem pra nossa história. Quando a gente vem pra cá, vem respeitando tudo isso", comentou o cantor Siba, destacando o coco arcoverdense, Lirinha e o Cordel do Fogo Encantado. A melhoria na estrutura do palco, aprovada pelos artistas que passaram por lá, permitiu ao público aplaudir, com conforto e qualidade técnica, a guitarra imperdível e a rima ligeira do cantor recifense. E ainda a voz rara de Isaar, a rabeca de Alberone Padilha (Balão Popular), o forró autoral da Fim de Feira, entre outras preciosidades da nossa música atual que cabem em uma festa diversa, em um São João de todas as culturas.

Filho de Arcoverde, o cantor e compositor Clayton Barros voltou à terra com um novo show, no qual revisita sua trajetória artística e ainda apresenta canções inéditas como a bela Serena, escrita em parceria com o poeta carioca André Zahar. A performance histórica, que apresentou também roupagens novas para clássicos de Luiz Gonzaga e João Silva, contou com o peso de uma banda formada pelo baixista Dengue (Nação Zumbi), Hugo Carranca (Dizmaia e Otto) na bateria e ainda a participação do guitarrista Paulo Rafael (Alceu Valença e Ave Sangria).
"Quantos amigos eu reencontro, é uma honra e um prazer tocar nesse São João que, espero, tenha cada vez mais espaço para a liberdade artística e para a diversidade, que é nosso maior tesouro", afirmou Clayton. O músico arcoverdense lembrou ainda que "tem muita coisa que pode ser feita ao longo do ano também, pois Arcoverde é um exemplo de Brasil, dessa miscigenação entre branco, negro e índio, dos ritmos originais e das manifestações artísticas".
Em 2008, a cantora recifense Isaar venceu o Prêmio Pixinguinha (Funarte), por meio do qual gravou o disco 'Copo de Espuma' e circulou com o show pelo interior do estado. "Minha relação com Arcoverde começou ali, é uma alegria imensa voltar pro São João, que só apreciava de longe", disse. Animando a véspera de São João no polo, Isaar apresentou faixas mais dançantes dos três discos já gravados e, sobre a programação, manifestou que "não só nesse período, mas em todas as festas, os órgãos estatais precisariam ter mais cuidados com os artistas da terra, a prioridade deveria ser sempre fazer uma festa mais confortável e mais pernambucana".
Com 82 anos de coco e muita disposição para a brincadeira, a mestra Severina Lopes comandou a apresentação do Coco Irmãs Lopes - precursores da tradição no município - no domingo (25). "O São João é muito bonito em Arcoverde, só não vê quem não quer. Esse ano foi como nunca!", declarou a coquista. Sobre o lugar de destaque do ritmo na programação, a mestra comentou: "Tô muito feliz de ver todo mundo brincando com amor e alegria. Meu irmão (Ivo Lopes) tanto viveu e nunca viu nada disso aqui. Com fé em Deus, vou seguir assim até o fim".
Coube à banda Fim de Feira encerrar o polo com muito forró, no domingo (25). O vocalista Bruno Lins, relatou que "antes de ter uma influência, tem uma identificação muito grande com esse lugar", lembrando que uma das primeiras apresentações da banda em outros municípios foi justamente no polo Raízes do Coco, há cerca de dez anos. "Ver o Samba de Coco Raízes de Arcoverde naquela época foi um paradigma importante pro nosso trabalho, que bebe desses ritmos populares nordestinos, mas experimenta alguns passos no sentido de renovar musicalmente as tradições", declarou.
BALANÇO 
O sucesso do Polo Raízes do Coco neste São João 2017 consagra o bom diálogo entre poder público e sociedade civil como estratégico para o fortalecimento das tradições na cidade. Para o diretor de Cultura Vinícius Carvalho, "o polo no Alto do Cruzeiro vinha sofrendo um processo de descaracterização, abrindo espaço para outros gêneros não identificados com a proposta do território". Vinícius conta ainda que "foi partir do diálogo com os grupos que identificamos a necessidade de retomarmos as tradições e, possibilitar essas trocas com a música contemporânea, trazendo artistas pernambucanos de projeção nacional para potencializar o que já existe".
Como resultado deste esforço, "o que já era referência ganhou uma proporção ainda maior, oferecendo condições para todas as bandas se apresentarem, afinal, todos os palcos são principais, todos os artistas tem que ter o mesmo tratamento e todos os públicos merecem conforto", apontou o diretor.
Conferindo a última apresentação do palco - e em êxtase com este novo momento do polo que sua família criou -, a coquista Iran Calixto (Coco Raízes) reforçou que o "São João de Arcoverde tem história no mundo, em nenhuma outra cidade se encontra o que tem aqui. Isso é maravilhoso, é o que traz o turista pra cá". E finalizou com uma confirmação e mais desejos: "O polo nunca teve uma grade de atrações tão boa, espero que ano que vem cheguem ainda mais artistas maravilhosos de outras cidades e que a gente continue trocando e crescendo juntos".
Fotos e reportagem: Tiago Montenegro
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